Olha o Futebol Social aí de novo!
2010 prometia. Nós do Futebol Social estávamos empolgadíssimos com a possibilidade de trazer ao Brasil a 8ª Homeless World Cup, a primeira vez nas América após rodar o mundo: Itália, Austrália, Suécia, África do Sul, Escócia, Dinamarca e Áustria. 64 seleções nacionais de todo o mundo em um grande movimento contra a pobreza através do futebol. Ano de Copa do Mundo da FIFA. Espírito olímpico. Eleições depois de 8 anos do governo Lula. Tinha tudo pra ser um grande acontecimento. Não é mesmo?
Não! Foi traumático. Quase uma tragédia! Em fevereiro, o Carnaval. Entre junho e julho, a Copa do Mundo. Em outubro, as eleições. Pura ingenuidade pensar que nosso evento, programado para setembro do mesmo, na única janela desocupada e imediatamente antes das eleições presidenciais, pudesse estar na agenda central do país.
Até poderia, mas definitivamente não estava. E então a gente se deu conta da encrenca que a gente tinha se metido. Na realidade, mesmo em situações normais de anos tranquilos a coisa não seria fácil. Uma arquitetura complicadíssima está por trás de um evento deste porte, incluindo a produção, a logística, a burocracia e suas licenças e mais licenças, questões políticas e inclusive diplomáticas, afinal, pessoas muitas vezes privadas de comer iriam cruzar o charco…
Justiça seja feita, a coisa já começou meio torta, se considerarmos que o resultado do bid saiu em maio de 2009 e ele não estava tão amarradinho assim! Ilusão nossa acreditar que conseguiríamos vender o conceito do projeto, angariar patrocínio e resolver a burocracia em poucos meses. Mas que dava pra fazer, dava. Podem nos acusar de ingênuos e mesmo incompetentes. Mas a loucura maior foi ter acreditado em promessas.
Daquelas concretas, olho no olho, ao vivo e a cores, de que o apoio seria total e tudo seria resolvido. E facilmente! Soltamos rojões. Os gringos também devem ter comemorado, coitados. Afinal, àquela época éramos uma nação quase olímpica e um espírito diferente reinava por aqui.
Dali em diante fica até difícil reconstruir o traçado: alianças desastrosas e decepcionantes parcerias nada renderam. Promessas se esvaíram e as portas apenas se entreabriram. Os que desde o início conosco caminharam caíram no mesmo conto do vigário (desculpa pessoal!). Parecia um pesadelo, mas algo maior não deixava a gente parar. E assim chegou a hora da coisa acontecer. Braços amigos arregaçaram suas mangas e em menos de 3 meses tudo se fez!
Parece piada né? E não é que o resultado foi bacana? Talvez não tenha tido a atenção que merecia. Mas quem viveu aquilo não esquece. 10 dias de pura emoção! Foram 55 seleções de todos os continentes do mundo para uma grande celebração do esporte, daquele futebol genuíno, que integra e transforma, que infelizmente não mais se vê por aí.
E apareceu muita gente também! A mídia veio, veio torcida, apareceram celebridades e autoridades. E os relatos foram muito positivos!! É uma festa bonita, quem sabe não volta um dia pro Brasil…mas aí o convite tem que ser sério, ou de gente séria, o que é mais recomendável.
Novamente, o que é importa é que a coisa aconteceu. E foi legal! O que passamos nos bastidores não importa. E os buracos que ficaram a gente rebola e reboca.
Obrigado a todos! Àqueles que não puderam estar a bordo, entendemos. Fica pra próxima!
De nossa parte, a crença de que fez parte de um processo de aprendizado que ainda refletirá lá na frente. Afinal, ganhar é virar o jogo!
E não é que estamos aqui novamente, rumo a Paris?
Quer dizer, assim esperamos…
Fé no Futebol Social minha gente.
Ganhar é virar o jogo!
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